Dislexia ou distúrbios da leitura e da escrita? PDF Imprimir E-mail

Selene Calafange

"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes”. Albert Einstein (um dos disléxicos mais famosos).

Epistemologicamente dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que o fazem as crianças da mesma faixa etária, independentemente de qualquer causa intelectual, cultural ou emocional. É um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita.
 
Não se fala em cura, tratamento ou medicamentos quando se fala em dislexia, que não é, portanto, uma doença. Ser disléxico é como ser canhoto. 

As pessoas nascem ou não disléxicas, e assim permanecem por toda a vida, assim como pessoas nascem canhotas ou destras e assim o são por toda a vida.

Os canhotos sofreram durante muitos anos discriminação e tentativas de "tratamento": colocar gesso na mão dominante é hoje considerado um crime, mas não era assim há alguns anos. O sistema escolar atual é desenvolvido para a maioria, que não é disléxica. Os disléxicos ficam à margem de um sistema educacional que os exclui e os aprisiona.

A grande polêmica acerca do tema dislexia é pelo comprometimento neurológico, mas precisamos entender que pertencem à área da saúde apenas a causa e o diagnóstico.

O reconhecimento precoce das características, as conseqüências, as soluções e as adaptações pertencem à educação. Não existem disléxicos entre os analfabetos. É nas salas de aula que a dislexia se faz presente, de forma catastrófica e algumas vezes irreparável.


Estudos recentes na Finlândia e na Suécia remetem ao gene DYXC1 como um dos principais causadores da dislexia, perturbação da aprendizagem que afeta entre três e dez por cento da população mundial.

A dislexia caracteriza-se pela dificuldade em reconhecer e ler palavras, mas em nada está relacionada com a inteligência do paciente, sabendo-se que os disléxicos utilizam uma área diferente do cérebro para processar a informação.

Não existe orgulho nem satisfação em destacar-se na escola por problemas de aprendizagem, nem pelas notas baixas recebidas. 

Sem a assistência e o apoio necessários estas crianças desestimulam-se, perdem-se e por fim desistem. Pergunto-me se este não seria um bom motivo para que se investigassem os altos índices de reprovação e de evasão escolar.

Leitura lenta sem modulação, sem ritmo e sem domínio da compreensão/interpretação do texto lido; confundir algumas letras; sérios erros ortográficos; dificuldades de memória; dificuldades no manuseio de dicionários e mapas; dificuldades de copiar do quadro ou dos livros; dificuldades de entender o tempo: passado, presente e futuro; tendência a uma escrita descuidada, desordenada e às vezes incompreensível; não utilização de sinais de pontuação/acentuação gramaticais; inversões, omissões, reiterações e substituições de letras, palavras ou sílabas na leitura e na escrita, problemas com seqüenciações, essas são apenas algumas das características disléxicas que podem ser observadas nas crianças com dificuldades escolares.

Crianças com expressivas dificuldades de leitura não são necessariamente disléxicas, mas todas as crianças disléxicas têm um sério distúrbio de leitura.

O diagnóstico precoce é imprescindível para o desenvolvimento contínuo das crianças disléxicas. Reconhecer as características é o primeiro passo para que se possam evitar anos de dificuldades e sofrimentos, o que fatalmente irá induzir esta criança ao desinteresse pela escola e a tudo o que está em torno dela, o que gera às vezes quadros "quase fóbicos" em relação a tarefas que exijam a leitura e a escrita.

Crianças com dificuldades escolares, seja qual for a raiz do problema, necessitam de educação, atenção e ensino diferenciados para que possam desenvolver suas habilidades, e quanto mais cedo for detectado o problema, melhores serão os resultados. Uma das grandes frustrações dos pais é saber que seu filho tem problemas escolares.

Como educadores precisamos caminhar, por conta própria, em busca das informações necessárias para que este quadro se modifique. Não podemos esperar que as informações cheguem às nossas mãos através da escola. Elas não chegarão.

As universidades não preparam seus alunos, futuros professores, para atender às necessidades das crianças disléxicas. E elas existem! Estão por aí em todas as salas de aula! Até que desistam.

Precisamos restaurar a dignidade humana em nível nacional, mas só o faremos quando pudermos compreender as graves conseqüências sociais que o insucesso escolar provoca, ao gerar uma relação inadequada entre a criança e o mundo.
Para pesquisar:
www.abd.com.br
 

 

 
Quem somos | Termos de uso
Viajando pelo Brasil | Datas comemorativas | Sala dos professores

Copyright © 2018 - IBEP - Coleção Eu Gosto - Todos os direitos reservados Um produto Editora IBEP