Hiperatividade e distúrbio de déficit de atenção PDF Imprimir E-mail


Priscilla Siomara Gonçalves

O trabalho em ambiente escolar com alunos portadores do distúrbio de déficit de atenção com hiperatividade.

Crianças com DDAH (distúrbio de déficit de atenção com hiperatividade) geralmente são caracterizadas como desatentas, impulsivas e hiperativas, e podem exibir uma variedade de problemas dentro do contexto escolar (Barkley, 1990).

Esses estudantes geralmente apresentam dificuldades em manter a atenção, seguir ordens, ficar sentados, e trabalharem independentemente na sala de aula.

Estudos feitos nos EUA mostram que é possível amenizar os sintomas do DDAH através de estratégias de intervenção no comportamento, com feed-back freqüente e supervisão individual, que ajudam a manter a atenção da criança. Tarefas repetitivas e pouco retorno, por outro lado, favorecem o aparecimento dos sintomas.

O comportamento inadequado mostrado pelos alunos com DDAH freqüentemente interrompe a concentração de seus colegas e geralmente resulta em relações pobres com os demais alunos. Adicionalmente, esses problemas geralmente são acompanhados por outros associados (por exemplo, baixa auto-estima, depressão) que podem afetar significativamente o desempenho desses estudantes.

Abaixo, algumas sugestões bastante resumidas para trabalhar com alunos que apresentem esse tipo de comportamento, lembrando sempre que todo comportamento considerado inadequado deverá ser encaminhado para orientação específica, pois pode estar contido em um espectro mais amplo, que talvez até necessite de ajuda profissional especializada, como nos  casos de autismo de alto desempenho, transtorno (ou síndrome) de Tourette (tiques nervosos), sindrome de Asperger, e outras contidas nos transtornos invasivos do desenvolvimento, conforme DSM-IV.


- Olhe sempre nos olhos: você consegue "trazer de volta" uma criança DDAH através dos olhos nos olhos. Isso ajuda a evitar a distração que prejudica tanto essas crianças;

- Organizar as carteiras em círculos, ou em forma de U, ao invés de fileiras: facilita o contato e particularmente o “olho no olho” com os demais membros da classe, uma vez que esse tipo de aluno costuma estar sentado nas carteiras do fundo da sala, não podendo visualizar os olhos dos companheiros de estudo, o que o torna ainda mais disperso;

- Cuidado com as cores: o estímulo multicolorido costuma deixá-los mais excitados e menos atentos ainda, devendo-se evitar cores fortes no ambiente (do espectro vermelho e amarelo), inclusive na vestimenta da criança (Tanganelli, 1995);

- Adotar um ritmo dinâmico de aula: de tal forma a criar oportunidade para que todos os alunos participem, sempre com o cuidado de não permitir que o aluno com DDAH fique eufórico;

- Usar recursos e formas de apresentação não habituais: crianças com DDAH adoram novidades; explorar o seu cotidiano e fazer disso motivo para uma aula posterior. Criar um "gancho" na aula atual costuma ser muito proveitoso;

- Utilizar metodologia preferencialmente visual: as crianças DDAH aprendem melhor visualmente do que por outros métodos, portanto escreva palavras-chave ao mesmo tempo em que fala sobre o assunto;

- Estimular a criatividade: propor tarefas que exijam a criatividade do aluno (explorar, construir, criar) e não passivas (questionários com respostas de múltipla escolha);

- Ser claro e objetivo ao definir as regras de comportamento dentro da sala de aula: criar, juntamente com os alunos, um código de conduta (simples, com poucas palavras, para facilitar a memorização) e escrever em uma tabela SEMPRE VISÍVEL afixada na parede;

- Repita e repita as diretrizes: as pessoas com DDAH necessitam ouvir as coisas mais de uma vez, pois são profundamente visuais, aprendendo com mais facilidade quando as coisas são apresentadas da forma visual;

- Fornecer com antecedência (preferencialmente no final do dia anterior) um programa com as atividades do dia a serem executadas (DuPaul  & Stoner, 1994): as crianças com DDAH necessitam de um ambiente estruturado. Faça listas, tabelas, lembretes. Apresente o programa das aulas do dia no final do dia anterior, pelo menos informe o assunto da aula do dia seguinte antes do término da aula anterior, pois essas crianças necessitam de diretrizes, organização, regras claras, definidas e ESCRITAS (eles fixam melhor o que conseguem ver);

- Ao dar instruções para a classe, solicite que o aluno com DDAH repita para toda a classe: isso lhe dará duas oportunidades:  a de que tenha certeza de ter entendido o que é esperado dele (e dos demais) e ter sua auto-estima (em geral extremamente baixa) reforçada;

- A memória é um grave problema para eles: ensine mnemônicos, quadrinhas, dicas, rimas, pois eles têm problemas com a Memória de Trabalho Ativa (Levine, 1995) e esses processos ajudam sobremaneira a aumentar essa memória;

- O desafio costuma motivar o portador de DDAH: deve então o professor estabelecer de antemão com o aluno qual a tarefa a ser feita, quando será considerada concluída e quais os pontos para isso (check-list a ser verificado no final). Isso dará, aos poucos, ao portador de DDAH formas de lidar com sua ansiedade e com as falhas em terminar as tarefas a que se propõe, pois em geral ele concebe projetos grandiosos demais, que não consegue finalizar;

- Elogiar o aluno com constância: NÃO APENAS QUANDO ELE TERMINA A TAREFA, mas DURANTE o transcorrer INCENTIVANDO o seu término, uma vez que para o aluno com DDAH o CONCLUIR a tarefa é bastante difícil, exigindo quase o triplo de concentração (praticamente inexistente) que os demais;

- Estabelecer para o aluno com DDAH tarefas de conclusão rápida: inicialmente, para que este comece a finalizar adequadamente as tarefas, e, aos poucos, ir inserindo maior complexidade e maior duração às tarefas dele exigidas, visto que o aprendizado de organização para essas pessoas é extremamente penoso;

- Divida as grandes tarefas em tarefas menores: isso possibilita à criança vislumbrar que a tarefa PODE ser terminada, algo que é extremamente difícil para os portadores de DDAH, possibilitando ao professor trabalhar a capacidade da criança, geralmente minimizada por ela (baixa auto-estima), além de evitar acessos de fúria pela frustração antecipada de não terminar a tarefa em crianças menores, e as atitudes provocadoras dos maiores;

- Utilize uma agenda de contato com a família: isso facilita a troca de informações, pois os únicos momentos de contato (quando existem) entre professores e pais são os horários de entrada e saída dos alunos. E não são esses os momentos mais adequados para trocar informações tão valiosas e individuais;

- Utilizar exercícios físicos: exercícios (até um enfoque de psicomotricidade) auxiliam sobremaneira o portador de DDAH, pois ajudam a liberar o excesso de energia, concentrar a atenção em um objetivo facilmente entendido e visualizado (correr até a linha vermelha), estimular a fabricação de endorfina, além de ser muito divertido;

- Não deixe a panela de pressão explodir: propicie uma válvula de escape como, por exemplo, sair da sala de aula por alguns instantes, (isso se for permitido pela direção da escola), indo buscar algo na classe vizinha, dar um recado a alguém que se encontra fora da sala de aula, (inicialmente entregar um bilhete a uma pessoa, pois eles esquecem o recado a ser dado), ir ao banheiro, pois isso fará com que ele deixe (sob controle) a sala e não fuja dela, além de começar a aprender meios de auto-observação e auto-monitoramento.

 


Bibliografia:
BARLEY, R. A. Attention-deficit hyperactivity disorder: A handbook for diagnosis and treatment. New York: Guilford,1990
DIMENSTEIN, Gilberto. Como lidar com alunos agitados e dispersivos - Coluna Aprendiz do Futuro (http://www.aprendiz.com.br), 1997
DUPAUL, G.J., & Stoner, G. ADHD in the schools: Assessment and intervention strategies. New York: Guilford,1994
HALLOWELLl, Eduard M. e Rotey, John J. 50 dicas para administração do déficit de atenção em sala de aula - CHADD (http://www.chadd.org), 1992
LEVINE, Mel. Memória de Trabalho Ativa (http://www.aprendiz.com.br), 1995
TANGANELLI, Maria do Sacramento L. A Criança Hiperativa - artigo publicado no Jornal "O Liberal",1995

 

 
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